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Demora na Adoção em Portugal: Como Agir e Fazer Queixa à Segurança Social

Está há meses sem notícias das equipas de adoção e não sabe em que ponto está o seu processo. Já deixou recados, enviou emails, e as respostas são vagas ou inexistentes. Esta situação é mais comum do que deveria ser no sistema português de adoção — e existem passos concretos para a resolver, incluindo a possibilidade de apresentar uma queixa formal.

Por que é que os processos atrasam

O desfasamento entre o número de candidatos e o número de crianças em situação de adotabilidade é a causa estrutural das esperas. Em Portugal, o número de candidaturas é seis vezes superior ao número de crianças disponíveis para adoção com o perfil mais procurado — crianças saudáveis até aos seis anos. Para quem aceita crianças mais velhas, com Necessidades Adotivas Particulares (NAP) ou grupos de irmãos, o tempo de espera reduz-se significativamente.

Mas há uma segunda causa de atraso que não tem a ver com a escassez de crianças: a sobrecarga das equipas técnicas. Os Centros Distritais do ISS têm recursos humanos limitados face ao volume de processos. O prazo legal de seis meses para concluir o estudo psicossocial é frequentemente ultrapassado sem qualquer consequência formal para os serviços. O relatório CASA 2024 indica que o tempo médio de permanência no sistema de acolhimento (para crianças com projeto de adoção) é de aproximadamente quatro anos — e esse número não inclui o período de espera do candidato antes de lhe ser proposta uma criança.

O que pode exigir e quando

A Lei n.º 143/2015 (Regime Jurídico do Processo de Adoção) estabelece prazos que os serviços têm de respeitar. Se os serviços não cumprirem estes prazos, tem o direito de exigir informação sobre o estado do processo e, se necessário, de reclamar formalmente.

Prazo de avaliação: Após a formalização da candidatura, os serviços têm seis meses para concluir o estudo psicossocial e emitir uma decisão sobre a aptidão do candidato.

Direito à informação: Pode solicitar, a qualquer momento, informação sobre o estado do seu processo junto da equipa de adoção responsável.

Após seleção favorável: Se já foi considerado apto e integrou a Lista Nacional de Candidatos à Adoção, não existe um prazo legal para que lhe seja proposta uma criança — a espera depende do matching entre o perfil da criança e as capacidades da família. No entanto, tem o direito a ser informado periodicamente sobre a situação.

Como apresentar uma queixa formal

Se os serviços não respeitam os prazos ou não comunicam adequadamente, existem vias formais de reclamação:

1. Livro de reclamações dos serviços do ISS ou SCML

Todos os serviços públicos têm livro de reclamações físico e digital. Pode apresentar uma reclamação no próprio serviço ou através do portal do Livro de Reclamações Online. A reclamação é registada e deve receber resposta no prazo de 20 dias úteis.

2. Provedor de Justiça

Se a reclamação interna não resolver o problema, pode apresentar queixa ao Provedor de Justiça (ombudsman nacional). O Provedor tem competência para intervir em situações de demora excessiva dos serviços públicos e pode emitir recomendações vinculativas. O procedimento é gratuito e pode ser feito online em provedor-jus.pt.

3. Ministério Público

Nos processos de proteção de crianças, o Ministério Público tem um papel de fiscalização. Se entender que a demora está a prejudicar o interesse da criança, pode contactar o Ministério Público do Tribunal de Família e Menores da sua área.

4. Linha de Atendimento da Segurança Social

O número 300 502 502 da Segurança Social permite registar situações de falta de resposta. Embora não substitua uma reclamação formal, cria um registo da comunicação.

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Estratégias práticas para não deixar o processo adormecer

Antes de chegar às queixas formais, existem ações simples que mantêm o processo ativo:

Contacto regular por escrito: Envie um email mensal à equipa de adoção responsável a perguntar pelo estado do processo. O registo escrito cria um histórico que pode ser útil numa eventual reclamação. Evite apenas o contacto telefónico — não fica registado.

Guarde tudo: Confirme todas as informações recebidas verbalmente por email. "Conforme falamos por telefone no dia X, ficou acordado que..." Este hábito profissionaliza a relação com os serviços.

Reavalie o perfil aceite: Se a espera por uma criança saudável e jovem está a prolongar-se indefinidamente, considere expandir o perfil aceite. Crianças com mais de sete anos ou com NAP têm muito menos candidatos. Esta não é uma decisão fácil, mas pode reduzir dramaticamente o tempo de espera e, no limite, significa dar uma família a uma criança que de outra forma ficaria no sistema residencial.

Contacte a APCA: A Associação Portuguesa de Candidatos à Adoção (APCA) é uma rede de suporte que conhece os meandros do sistema. Pode partilhar a sua situação e obter orientação de quem já passou pelo mesmo processo. O seu foco na humanização do processo e no apoio durante a espera é reconhecido.

O que uma queixa não consegue fazer

É importante ter expectativas realistas: uma queixa formal não cria uma criança para si. Se o atraso se deve ao desfasamento estrutural entre candidatos e crianças disponíveis, nenhum processo de reclamação resolve essa realidade. O que uma queixa consegue é forçar os serviços a responder, a comunicar e a cumprir os prazos legais de avaliação — não a criar matches que não existem.

Nos fóruns portugueses sobre adoção, como o "De Mãe para Mãe", são frequentes os relatos de candidatos que esperam anos sem qualquer contacto das equipas. Na maior parte dos casos, o problema não é má vontade — é escassez de recursos humanos nas equipas técnicas e uma carga processual que excede a capacidade instalada.

Quando a espera é o processo

Para muitas famílias, a espera pela adoção é, em si mesma, uma fase do processo que exige trabalho interno: preparar a casa, ler sobre vinculação e desenvolvimento infantil, participar em grupos de suporte, e clarificar as próprias motivações. As famílias que chegam ao matching mais bem preparadas tendem a ter transições mais bem-sucedidas.

Se quer entender exatamente o que acontece em cada fase do processo de adoção em Portugal — incluindo como gerir a espera e o que esperar das entrevistas — o Guia de Acolhimento Familiar e Adoção em Portugal oferece um roteiro completo e atualizado para 2025/2026.

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